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Fronteira em movimento: o que as urnas de 4 de outubro dizem sobre o futuro de Foz e da região
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Fronteira em movimento: o que as urnas de 4 de outubro dizem sobre o futuro de Foz e da região

5 de outubro de 2026 · Leitura de 7 min

Radar +55 · Outubro de 2026

No mesmo domingo, Brasil e Paraguai foram às urnas. A fronteira votou de forma clara, o mercado respondeu na mesma noite e os projetos que vão transformar a região estão em obra.

O domingo, 4 de outubro, foi dia de eleição dos dois lados da Ponte da Amizade. No Brasil, eleições gerais. No Paraguai, a escolha de intendentes e vereadores nos 263 municípios do país. Foi um raro domingo em que a Tríplice Fronteira votou ao mesmo tempo, e as duas urnas mandaram um recado comum: a região quer obra pronta, conexão funcionando, ambiente de negócios e investimento chegando.

Seção eleitoral à espera da abertura: em 4 de outubro, Brasil e Paraguai votaram no mesmo domingo. (Imagem ilustrativa)
Seção eleitoral à espera da abertura: em 4 de outubro, Brasil e Paraguai votaram no mesmo domingo. (Imagem ilustrativa)

Brasil: segundo turno nacional, Paraná resolvido

A disputa pela Presidência vai ao segundo turno, em 25 de outubro. Com 100% das seções apuradas, Flávio Bolsonaro (PL) teve 47,03% dos votos válidos (56,1 milhões) e Lula (PT), 45,16% (53,9 milhões). Foram 119,3 milhões de votos válidos, com 78,92% de comparecimento.

No Paraná, a eleição para o governo acabou no primeiro turno. Sergio Moro (PL) venceu com 50,10% dos votos válidos (3,13 milhões), à frente de Sandro Alex (PSD, 25,37%) e Requião Filho (PDT, 23,47%). Para o Senado, foram eleitos Filipe Barros (PL), com 27,25%, e Deltan Dallagnol (Novo), com 25,14%.

Como Foz votou

  • ›Presidente: 1º Flávio Bolsonaro (PL) – 60,96% · 2º Lula (PT) – 31,46%
  • ›Governador: 1º Sergio Moro (PL) – 55,34% · 2º Requião Filho (PDT) – 26,15%
  • ›Senado: 1º Filipe Barros (PL) – 29,82% · 2º Deltan Dallagnol (Novo) – 27,15%

Foz dobra sua representação

  • ›Vermelho (Nelsi Coguetto Maria) (PL) – deputado federal (reeleito) – 72.166 votos
  • ›Matheus Vermelho (PL) – deputado estadual (reeleito) – 51.316 votos
  • ›Paulo Mac Donald (PP) – deputado estadual – 45.276 votos
  • ›Yasmin Hachem (PT) – deputada estadual – 43.343 votos

Foz sai das urnas com a maior representação política da sua história: quatro parlamentares, o dobro de 2022. Na Assembleia Legislativa, a cidade passa de uma para três cadeiras. A direita lidera a bancada, com três das quatro vagas. O resultado veio de um eleitorado presente: 78,94% dos eleitores de Foz foram às urnas, um pouco acima da média nacional. Esse comparecimento vira, a partir de 2027, mais vozes da cidade em Curitiba e em Brasília.

A resposta do mercado: alta antes mesmo da abertura

O mercado reagiu na mesma noite. Com o resultado do primeiro turno, o EWZ, principal fundo de ações brasileiras negociado em Nova York, subiu mais de 10% no pós-mercado de domingo. As ações de grandes empresas brasileiras negociadas lá foram junto: Itaú +7,92%, Petrobras até +7,5% (fechou o pós-mercado em +5,08%) e Vale +5%.

Na segunda-feira (5), a reação chegou à B3. O Ibovespa superou pela primeira vez os 200 mil pontos, com alta de quase 8% no meio da manhã, e o dólar caiu abaixo de R$ 5, em queda de cerca de 4,5%.

As projeções para a bolsa brasileira seguiram o mesmo tom. O UBS-BB estima "pelo menos 5%" de alta para o Ibovespa, e analistas da Empiricus falam em espaço para valorização na casa de 10%, com real mais forte e juros em queda.

Para a fronteira, o efeito é concreto. Real mais forte e juros menores barateiam o crédito imobiliário, o financiamento de obra e o capital para os investimentos logísticos e industriais que estão chegando à região.

O mapa do voto na fronteira

Os números do TSE mostram que Foz e o Paraná votaram de forma diferente da média do país:

  • ›Flávio Bolsonaro (presidente): Brasil 47,03% · Foz do Iguaçu 60,96%
  • ›Sergio Moro (governador): Paraná 50,10% · Foz do Iguaçu 55,34%
  • ›Senado (PL + Novo, somados): Paraná 52,39% · Foz do Iguaçu 56,97%

Em Foz, a votação do primeiro colocado para presidente ficou quase 14 pontos acima da média nacional. No Paraná, o governo foi decidido no primeiro turno, e as duas vagas do Senado ficaram com PL e Novo. O Novo elegeu oito deputados estaduais.

Do outro lado do rio, o Partido Colorado venceu em 11 das 17 capitais departamentais do Paraguai, enquanto a oposição ficou com Asunción e Ciudad del Este. O Paraguai mantém um dos regimes tributários mais simples do continente, com IVA e imposto de renda de 10%, além de um regime de maquila que atrai indústria brasileira.

Para quem investe, o dado relevante é a economia da região, que se apoia no comércio, nos serviços, na logística e na iniciativa privada. Nasceu do comércio de fronteira e da maior obra de engenharia binacional do continente, e segue atraindo capital pelos mesmos motivos: localização, escala e conexão entre três países.

O segundo turno, em 25 de outubro, definirá o rumo nacional. Os projetos estruturantes da região, como mostramos a seguir, já estão contratados e em obra.

Paraguai: Ciudad del Este escolhe continuidade

Daniel Pereira Mujica, do movimento Yo Creo, venceu em Ciudad del Este com 72,93% dos votos (93.530), contra 23,72% do colorado Rigoberto Chamorro. Mujica já ocupava a intendência e renunciou em junho para disputar o cargo. A vitória ampla mostra que o eleitor da segunda maior cidade paraguaia quer continuidade de gestão.

No restante do país, os colorados retomaram Presidente Franco e Minga Guazú, e o PLRA venceu em Hernandarias. Presidente Franco é justamente onde chega a Ponte da Integração, e Ciudad del Este é o maior parceiro comercial de Foz. Os dois lados da conexão terão gestões que precisam conversar.

Os projetos que seguem, independentemente das urnas

A agenda estruturante da região está avançada demais para recuar.

Ponte da Integração e Perimetral Leste. A Perimetral Leste está concluída: são 14,7 km e R$ 238 milhões, com seis viadutos e duas aduanas, ligando a BR-277 direto à nova ponte. A ponte opera de forma gradual desde dezembro de 2025, com caminhões vazios e ônibus em horários definidos. O que falta está do lado paraguaio. A ponte sobre o rio Monday chegou a 38% em julho, com previsão para abril de 2027. O Corredor Metropolitano del Este, com mais de 30 km contornando Presidente Franco, Minga Guazú, Ciudad del Este e Hernandarias, tem US$ 212 milhões em financiamento da CAF. A expectativa é de operação completa com carga em 2027.

Novo Porto Seco. A Multilog investe R$ 550 milhões em 550 mil m² às margens da BR-277. O terminal terá capacidade para 2.000 caminhões por dia, o dobro do atual, e conclusão prevista para dezembro de 2026, com 250 empregos diretos. Somado à Ponte da Integração, coloca Foz no centro da logística de cargas do Mercosul.

Rodovia das Cataratas. A duplicação de 8,7 km da BR-469, com R$ 165,8 milhões e financiamento da Itaipu, teve os primeiros 6,8 km entregues em abril. O trecho final, de menos de 2 km até o portal do Parque Nacional, segue em obra. É o eixo que liga aeroporto, Parque Nacional e a fronteira com a Argentina.

Itaipu Parquetec. Com mais de 90 startups abrigadas e a certificação Cerne 4 renovada em 2026, o parque tecnológico consolida Foz como polo de inovação. Esse é o hub que ajuda a cidade a ir além do turismo e do comércio de fronteira.

Aeroporto. O terminal fechou 2025 com cerca de 2,25 milhões de passageiros, alta de 12%, de volta ao patamar pré-pandemia, e passou à operação do grupo ASUR em setembro de 2026. Mais voos trazem mais visitantes, mais negócios e mais gente decidindo morar na cidade.

Presença nacional mais forte na fronteira

Há um fio comum entre urnas e obras: a presença brasileira na fronteira está mais forte. Foz terá mais representantes do que nunca nos parlamentos, e a infraestrutura de Estado (aduanas, ponte, rodovias, porto seco) chega para organizar um fluxo que por décadas dependeu quase só da Ponte da Amizade.

Uma fronteira bem estruturada e bem representada protege o interesse nacional. Ela também atrai investimento, porque o investidor procura previsibilidade, e previsibilidade vem de obra entregue e de representação política capaz de defendê-la.

O que esperar de 2027

O ano que vem começa com governo novo no Paraná, bancada ampliada, um presidente definido em 25 de outubro e uma Ciudad del Este de mandato renovado. Os principais marcos da região estão previstos para esse ciclo:

  • ›Até dez/2026: conclusão prevista do novo Porto Seco.
  • ›1º semestre de 2027: ponte do Monday prevista para abril e operação com carga na Ponte da Integração.
  • ›2027: primeiros mandatos da nova bancada de Foz e do novo governo estadual.
  • ›2027–2028: prazos de infraestrutura dos loteamentos aprovados em 2025 e 2026, que levam a expansão urbana para o canteiro de obras.
Ruas abertas, iluminação instalada e casas em obra: a expansão urbana de Foz já está no canteiro. (Imagem ilustrativa)
Ruas abertas, iluminação instalada e casas em obra: a expansão urbana de Foz já está no canteiro. (Imagem ilustrativa)

E tudo isso conta só o lado brasileiro e as conexões em obra. Quando a Ponte da Integração operar plenamente e o corredor paraguaio estiver pronto, o mercado da fronteira passa a funcionar como uma região metropolitana trinacional de fato. Esse é o ativo que nenhuma eleição desfaz.

Fontes: TSE – Resultados das Eleições 2026, 1º turno, 100% apurado (Brasil, Paraná e Foz do Iguaçu); Monitor do Mercado (Morning Call, 05/10/2026); Estado de Minas (Ibovespa e dólar, 05/10/2026); Plural (bancada do Novo no PR); MisionesOnline (eleições municipais no Paraguai); H2FOZ (obras de acesso no Paraguai); Ponte da Amizade (Perimetral Leste); Zé Beto (novo Porto Seco); Portal da Cidade e Gazeta de Toledo (Rodovia das Cataratas); Maringá Post (Itaipu Parquetec); Panrotas e Rádio Cultura Foz (Aeroporto).

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